Nessa sexta-feira (31), se iniciam os voos da campanha científica CoMet 3.0 Tropics, que integra a cooperação científica Brasil-Alemanha, sobre o Pantanal. A aeronave equipada com instrumentos científicos, registrada sob o prefixo D-ADLR, chegou ao Brasil para fazer voos no espaço aéreo brasileiro com o objetivo de medir fluxos e concentrações atmosféricas de dióxido de carbono e metano, dois dos principais gases de efeito estufa, nos trópicos úmidos. Os voos se concentram na Amazônia, no Pantanal e em parte do Cerrado.
Os dados obtidos ao longo da campanha, que conta com a licença científica emitida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e autorização dos órgãos nacionais, terão múltiplas aplicações: deverão complementar lacunas de informações de outros sistemas de observação terrestre e por satélite, serem utilizados em validação cruzada para reduzir as incertezas de modelos computacionais regionais e globais, para validar para dados obtidos por satélite, além de calibrar instrumentos.
Cerca de 120 pesquisadores de diferentes instituições de pesquisa dos dois países estão trabalhando sob a coordenação conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) — unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) —, por meio do pesquisador Dirceu Herdies e do Centro Espacial Alemão (DLR, na sigla em alemão), por meio do cientista Andreas Fix.
O modelo Gulfstream G550, operado pelo DLR, é conhecido como HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft) por fazer voos com ampla faixa de altitude, desde 850 m metros até 15 mil metros, no limite da troposfera. O modelo foi empregado no Brasil em outras duas campanhas científicas: a CAFE-Brazil (Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil), entre 2022 e 2023; e Acridicon-Chuva, em 2014; para investigar interações entre aerossóis, nuvens, química atmosférica e convecção na Amazônia.
A aeronave está equipada com o sistema Lidar (Light Detection and Ranging), tecnologia que projeta pulsos de laser que permitem medir com precisão as concentrações de metano e dióxido de carbono na atmosfera, e outros instrumentos de sensoriamento remoto que medem os principais gases de efeito estufa, além de alguns traçadores para caracterizar massas de ar, são dedicados exclusivamente a medições atmosféricas
O avião chegou ao Brasil por Fortaleza (CE), em 25 de julho. Depois de ser inspecionado pelas autoridades nacionais e do embarque dos cientistas brasileiros, a aeronave iniciou os voos de medições. No primeiro trajeto, da capital cearense até Cuiabá (MT), onde ficará sediado, sobrevoou a represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, no Rio Tocantins, em Minaçu (GO). As represas com florestas submersas, cuja vegetação não foi removida antes do alagamento, são um dos objetos de análise dos cientistas. Eles buscam compreender as emissões de metano decorrentes da decomposição das plantas.
Os voos se concentrarão em uma faixa que abrange desde Corumbá (MS), Palmas (TO), Santarém (PA), Torre Alta da Amazônia (ATTO) — ao norte de Manaus (AM) — e Porto Velho (RO). “Essa região inclui a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal”, afirma o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e pesquisador do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), Luiz Machado. Ele explica que há um objetivo específico para cada um dos biomas. “Vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas”, descreve.
A campanha científica deve se estender até meados de setembro. Cerca de 15 voos devem ser feitos. Os voos são longos e em diferentes horários, durante o dia ou à noite. A autonomia da aeronave é de até 10 horas. Devido a observação dos procedimentos de segurança para o revezamento e descanso de tripulação, são feitos apenas três voos por semana.

