A maioria dos navios que passaram pelo Estreito de Ormuz no último dia estava ligada ao Irã, mostraram nesta sexta-feira (10) dados de rastreamento de navios. Outras embarcações adiaram viagens, apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado entre Teerã e Washington, de acordo com fontes de navegação.
Três navios-tanque – um superpetroleiro que pode transportar 2 milhões de barris, um navio-tanque de abastecimento e um navio de petróleo menor – deixaram as águas iranianas nas últimas 24 horas, com base em análises de dados separadas das plataformas Kpler e Lloyd’s List Intelligence.
Quatro navios graneleiros – incluindo um que carregava minério de ferro do Irã com destino à China — também navegaram no último dia, segundo os dados.
Nesta sexta-feira, Israel trocou disparos com o Hezbollah no Líbano, o que os Estados Unidos e o Irã descreveram como violações do acordo de cessar-fogo na véspera das primeiras negociações de paz.
O cessar-fogo de dois dias interrompeu a campanha de ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, mas até agora não fez nada para acabar com o bloqueio do Estreito, que causou a maior interrupção de todos os tempos no fornecimento de energia global, ou para acalmar uma guerra paralela travada por Israel contra os aliados do Irã no Líbano, o Hezbollah.
O Irã está fazendo um “trabalho muito ruim” sobre a passagem de petróleo pelo Estreito, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma publicação na mídia social durante a noite. “Esse não é o acordo que temos!”
Em publicação separada, ele declarou que o petróleo começaria a fluir novamente, sem dizer como.
O Irã, por sua vez, descreveu os contínuos ataques israelenses ao Líbano como uma violação da trégua. As forças israelenses lançaram o maior ataque da guerra horas após o anúncio do cessar-fogo, matando cerca de 300 libaneses em ataques-surpresa repentinos em áreas densamente povoadas.
O Irã afirma que a trégua deveria ser aplicada ao Líbano, uma posição inicialmente apoiada pelo Paquistão, que a mediou. Israel e Estados Unidos dizem que o Líbano não está coberto pelo cessar-fogo entre os EUA e o Irã. Mas em uma mudança, nessa quinta-feira, Israel disse que abriria conversações separadas com o governo libanês com o objetivo de acabar com a guerra no país e desarmar o Hezbollah.
As acusações rivais de violações pareciam improváveis de atrapalhar as primeiras conversações de paz planejadas entre os EUA e o Irã, que devem começar na capital paquistanesa, Islamabad, a partir de amanhã, sábado..
O centro de Islamabad foi colocado sob bloqueio total para um feriado anunciado às pressas, com um perímetro de segurança criado para uma “zona vermelha” de 3 quilômetros ao redor de um hotel de luxo, onde todos os hóspedes foram mandados embora para dar lugar às duas delegações.
As autoridades paquistanesas mantiveram sigilo sobre o momento exato da chegada da delegação iraniana, que será liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf. Uma fonte envolvida nas negociações disse que a força aérea paquistanesa escoltaria o avião dos iranianos.
A delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, deve chegar a tempo para o início das negociações no sábado.
* (Reportagem de Jonathan Saul, Parisa Hafezi, Maya Gebeily, Maayan Lubell e Ariba Shahid)
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