Nem todo sofrimento aparece nos exames. Com foco em um atendimento mais acolhedor e atento às necessidades dos pacientes, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) realizou, nesta terça-feira (12), uma capacitação sobre integralidade no cuidado de pessoas com quadro de dor.
Promovido pelo Núcleo de Educação Permanente, o encontro reuniu profissionais de saúde e estudantes para discutir desde os mecanismos físicos relacionados ao problema até os impactos emocionais, sociais e espirituais vivenciados pelos pacientes.
Durante a qualificação, os participantes debateram como o cérebro percebe os estímulos dolorosos, os diferentes sintomas relatados durante o atendimento e a importância da escuta qualificada no acolhimento.
A enfermeira Gisele Bacelar destacou que a empatia é essencial para compreender os sintomas apresentados, principalmente em situações nas quais o sofrimento não é perceptível em exames.
“Precisamos ter conhecimento para conseguir conversar e identificar as causas daquela dor. E, se o paciente confia em você, ele vai se sentir mais confortável e será mais sincero ao relatar os sintomas”, explica.
A profissional também apresentou ferramentas utilizadas pelas equipes de saúde para avaliar o quadro dos pacientes, incluindo escalas numéricas e análise de expressões faciais, especialmente em crianças que ainda não conseguem se comunicar.
“A dor está diretamente ligada à qualidade de vida do paciente. Muita gente não tem medo de morrer, mas tem medo de sofrer”
A psicóloga Leidiane Brandão abordou os impactos emocionais e espirituais relacionados ao sofrimento e ressaltou que fatores sociais também influenciam diretamente a forma como cada pessoa enfrenta o problema. “A dor está diretamente ligada à qualidade de vida do paciente. Muita gente não tem medo de morrer, mas tem medo de sofrer. Então, é preciso entender que esse sofrimento vai além do aspecto físico”, relata.
Segundo ela, condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde, sobrecarga emocional e até questões culturais podem interferir na maneira como cada pessoa lida com a própria condição.
“O aspecto espiritual ajuda muito na busca de sentido e propósito diante da dor. Algumas pessoas chegam a pensar que ela é uma punição divina. É preciso compreender todo esse contexto para conseguir cuidar dos pacientes da melhor forma possível”, acrescenta.
A técnica de enfermagem Tamires Verônica Silva Barbosa, colaboradora do IgesDF no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), elogiou a iniciativa. “Nós, que trabalhamos na área da saúde, precisamos sempre buscar mais conhecimento e nos especializar cada vez mais. Esse curso foi maravilhoso”, avalia.
*Com informações do IgesDF

