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Agricultura familiar ganha espaço na rede pública de ensino e movimenta quase R$ 184 milhões no DF

O Governo do Distrito Federal (GDF) movimentou R$ 183,9 milhões na compra de alimentos da agricultura familiar entre 2019 e 2025. Ao todo, quase 10 mil produtores participaram das aquisições, que abastecem principalmente a rede pública de ensino e ações de segurança alimentar. A política é executada por diversos programas, com destaque para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), responsável pela maior parte dos recursos.

Somente pelo Pnae, foram R$ 125 milhões investidos no período, com crescimento contínuo a partir de 2022. O volume é reforçado por aportes locais, que chegam a superar em até sete vezes os repasses federais em alguns anos. O aumento da demanda tem ampliado a participação de produtores e incentivado a diversificação da produção.

Embora seja uma política federal, o Pnae no Distrito Federal tem forte complementação de recursos locais. Em 2025, por exemplo, o repasse da União foi de R$ 32,4 milhões, enquanto o GDF investiu R$ 189,1 milhões. Em 2024, a lógica se repetiu: R$ 62,7 milhões vieram do governo federal, frente a R$ 112,4 milhões de recursos distritais. Na prática, isso evidencia a prioridade orçamentária dada à alimentação escolar e amplia significativamente a capacidade de compra de alimentos da agricultura familiar.

Outras iniciativas também contribuem para o fortalecimento do setor. O Programa de Aquisição da Produção da Agricultura do Distrito Federal (Papa-DF) movimentou R$ 44 milhões e adquiriu mais de 9,6 milhões de quilos de alimentos, com a participação de mais de 3,3 mil agricultores. Já o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/TA) somou R$ 14,8 milhões e envolveu 2,2 mil produtores, com destaque para os produtos orgânicos, que representaram cerca de 39,4% do valor total.

No caso do Papa-DF e do Pnae, a comercialização ocorre principalmente por meio de associações e cooperativas, o que fortalece a organização coletiva e amplia a capacidade de atendimento às demandas públicas. Já no PAA/TA, as compras são feitas diretamente com os produtores, permitindo maior inclusão de agricultores que ainda não estão vinculados a organizações formais.

As aquisições são articuladas pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF), com participação direta de órgãos como a Secretaria de Educação, responsável pela alimentação escolar, e a Secretaria de Desenvolvimento Social, que direciona os alimentos para programas de segurança alimentar e assistência social. Outros equipamentos públicos também podem ser atendidos, como o Zoológico de Brasília.

O secretário de Agricultura, Rafael Bueno, afirmou que os programas de compras governamentais são estratégicos para dar estabilidade à agricultura familiar no DF. Segundo ele, a política reduz os impactos das oscilações de mercado, garante previsibilidade de renda e permite planejamento da produção, além de viabilizar investimentos e ampliar a competitividade dos produtores quando parte da produção é destinada aos mercados tradicionais, seja atacadista ou varejista.

“Os programas de compra governamental são fundamentais e têm impulsionado a agropecuária no Distrito Federal, em especial a familiar. Por um lado há o ganho do produtor familiar, por outro há um alimento de qualidade produzido no DF e fornecido às comunidades locais”, declarou o chefe da pasta.

Além de hortifrútis, as compras públicas passaram a incluir itens com maior valor agregado, como lácteos, mel e pescado. A inclusão desses produtos amplia as cadeias produtivas atendidas e gera novas oportunidades de renda no campo. A previsão é de ampliação desse mercado, com aquisição mensal de filé de tilápia a partir de 2026.

A mudança na prática

Na Comunidade da Lagoinha, localizada no Núcleo Rural Rio Preto, em Planaltina, o produtor Ivan Engler, 49, acompanhou de perto essa transformação. Há mais de quatro décadas na atividade rural, ele fornece alimentos para a merenda escolar desde 2012 e hoje entrega cerca de 10 toneladas de hortifrútis, como cenoura, beterraba, mandioca, banana e tangerina. Bases alimentares como flocão, feijão e milho também saem da pequena propriedade para as salas de aula.

Segundo o produtor, o acesso aos programas públicos trouxe estabilidade financeira e reduziu a dependência de intermediários. Ele também destaca o apoio técnico e estrutural recebido, que permitiu ampliar a produção e diversificar as atividades na propriedade, incluindo a criação de peixes.

“O Pnae mudou nossa realidade. O mais importante é a segurança, saber que tenho uma venda garantida toda semana, com preço justo e faz com que cerca de 50% da minha renda já esteja assegurada. Antes, a gente dependia de intermediários comerciais e não tinha controle sobre o valor da produção. Hoje conseguimos planejar, investir e crescer”, afirma.

Além disso, o produtor ressalta a qualidade dos produtos colhidos e entregues frescos nas escolas. “A gente capricha porque sabe que são os nossos filhos que estão consumindo. Esse programa também ajudou a organizar os produtores, fortalecer cooperativas e mostrar que a agricultura familiar tem capacidade de atender grandes demandas com qualidade e profissionalismo”, observa.

As mudanças no perfil das compras públicas também impactaram a organização do setor. O aumento da demanda incentivou a criação e fortalecimento de cooperativas, ampliando a capacidade dos produtores de atender contratos e acessar novos mercados.

Com alimentos colhidos e distribuídos em curto intervalo de tempo, a produção local garante maior frescor e qualidade aos produtos entregues nas escolas, devido à proximidade entre campo e consumo. Esse modelo também reduz perdas logísticas, estimula a produção regional e mantém a renda circulando dentro do próprio Distrito Federal, fortalecendo a economia rural.

Fonte: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/agricultura-familiar-ganha-espaco-na-rede-publica-de-ensino-e-movimenta-quase-r-184-milhoes-no-df

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