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Cão orelha: o que se sabe sobre a morte do ‘mascote’ da Praia Brava

A Polícia Civil de Santa Catarina deu início às investigações, na última segunda-feira, 26, sobre o caso do cão comunitário, conhecido como Orelha, que foi morto a pauladas por um grupo de adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis (SC).

Ao todo, três mandados de busca e apreensão foram realizados nas residências dos suspeitos. O delegado Ulisses Gabriel relatou que, entre os mandados cumpridos, um deles envolve um investigado suspeito de ter exercido pressão sobre uma testemunha durante a apuração policial.

A diligência realizada na segunda-feira tinha como finalidade encontrar uma possível arma de fogo que teria sido usada na ameaça. No entanto, o armamento não foi localizado pelos agentes. Se a participação dos adolescentes for confirmada, o relatório final da investigação será remetido à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.

Residentes locais relataram que o animal estava desaparecido há dias. Posteriormente, durante uma caminhada, uma das pessoas responsáveis por cuidar de Orelha o encontrou caído, em estado grave e aparentemente agonizando.

O animal foi recolhido e encaminhado a uma clínica veterinária, mas, diante da severidade dos ferimentos, os profissionais decidiram pela realização da eutanásia. Em uma entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, detalhou os acontecimentos e se emocionou ao comentar o episódio.

Segundo o g1, a Polícia Civil aponta que ao menos quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de participação nas agressões  a partir da análise de imagens de monitoramento e relatos de residentes da região.

Paralelamente, é apurada a suspeita de que um policial civil, pai de um dos investigados, tenha intimidado uma testemunha. A delegada responsável, Mardjoli Valcareggi, afirmou que a denúncia está em avaliação, mas descartou a participação de policial na prática do crime.

Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) acompanha o andamento do caso por meio das promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente. De acordo com o órgão, várias pessoas já prestaram depoimento e novas oitivas devem ocorrer nos próximos dias.

No domingo, 25, o governador Jorginho Mello informou que o processo foi redistribuído após a magistrada inicialmente designada declarar impedimento. Concluído o inquérito, o material será encaminhado ao MP para análise das medidas cabíveis, seguindo as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Em um vídeo publicado nas redes sociais do governador, ele lamenta o caso e demonstra indignação. “Ainda bem que a violência contra os animais não passa mais em silêncio. Confesso que custei a acreditar, adolescentes de famílias estruturadas agredindo um cão por pura maldade. Orelha não era apenas um cachorro, ele fazia parte daquele lugar”, relatou Jorginho Mello.

Conhecido por circular pela região, o cãozinho convivia de forma próxima com moradores e outros animais do bairro. Em nota divulgada na sexta-feira, 17, a Associação de Moradores da Praia Brava ressaltou o vínculo afetivo construído entre Orelha e a comunidade local.

Após a morte do cachorro, manifestações em busca de justiça passaram a reunir moradores, protetores independentes, ONGs e instituições ligadas à causa animal. A primeira mobilização pública ocorreu no sábado, 17, na Praia Brava, seguida por um novo protesto no sábado seguinte, 24, que reuniu dezenas de pessoas.

Usando camisetas personalizadas e segurando cartazes com frases como “Justiça por Orelha”, os participantes caminharam acompanhados de seus cães e realizaram uma oração em homenagem ao animal. Moradores e protetores publicaram fotos ao lado de seus cães e placas com a hashtag #JustiçaPorOrelha.

Fonte: ISTOÉ

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