A Fifa abriu um processo disciplinar contra a Real Federação Espanhola de Futebol por cânticos islamofóbicos e xenófobos no jogo particular entre Espanha e Egito, confirmou hoje a entidade que rege o futebol mundial à agência noticiosa AFP.
A partida entre as duas seleções, ambas já qualificadas para a fase final do Mundial 2026, disputada em 31 de março, no Estádio Cornellà, em Barcelona, ficou marcada por cânticos entoados por alguns adeptos [torcedores] espanhóis.
Os cânticos foram ouvidos no recinto várias vezes durante o encontro de preparação para o Mundial 2026, depois de ainda antes do início ter havido assobios quando soava o hino da seleção africana.
Foi num setor de um dos cantos do estádio, onde normalmente se encontra a claque [torcida] organizada do Espanyol, conhecida como “La Curva”, que foi entoado de forma repetida o cântico “quem não salta é muçulmano”, a partir dos 20 minutos.
Em resposta a estes acontecimentos, a RFEF utilizou o sistema de som e os ecrãs [telas] gigantes do recinto para solicitar o fim dos cânticos ao intervalo, mas não obteve desfecho esperado daquele setor das bancadas, o que incitou grupos reduzidos de adeptos em outros setores.
Através das redes sociais, a RFEF condenou o incidente e reiterou o seu compromisso com a luta contra o racismo: “A RFEF une-se à mensagem do nosso futebol contra o racismo e condena qualquer ato de violência nos estádios”.
O presidente da RFEF, Rafael Louzán, lamentou e condenou os acontecimentos após o particular, defendendo que “este tipo de comportamentos” deve ser condenado, que “o futebol deve ser um exemplo de convivência e, acima de tudo, de respeito”.
O incidente motivou a abertura de uma investigação por parte da polícia catalã e uma onda de indignação nacional, que se estendeu ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que condenou duramente a “minoria” de adeptos que “manchou” a imagem do país com um episódio “inaceitável”.
(Com Lusa)
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