Devido à crise climática, muito se questiona sobre a capacidade de sobrevivência das plantas, especialmente por causa das mudanças climáticas. Porém, estudo recente desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) mostra que o principal fator ambiental para a conservação das plantas depende mais da disponibilidade de água do que da variação da temperatura.
O levantamento Plant Population Responses to Environmental Variability are Primarily Driven by Survival-Reproduction Trade-Offs and Mediated by Aridity (As Respostas das Populações de Plantas à Variabilidade Ambiental são Impulsionadas Principalmente por Compensações entre Sobrevivência e Reprodução e Mediadas pela Aridez, em inglês) analisa dados de 121 populações de plantas de 78 espécies, distribuídas em diferentes partes do mundo. As informações foram coletadas de pesquisas de mais de sete décadas.
Características do ciclo de vida das espécies estudadas, como crescimento rápido e vida curta ou crescimento lento e vida longa, mostraram-se como fracos indicadores da resiliência das plantas. O mesmo ocorreu com a estratégia reprodutiva, incluindo espécies que se reproduzem apenas uma vez ao longo da vida ou diversas vezes durante vários anos. “Esses resultados foram inesperados, pois essas características são amplamente utilizadas para prever como as populações vegetais responderão às mudanças climáticas”, explica um dos autores do estudo, que atuou no INMA de 2021 a 2023, Gabriel Santos.
O estudo ainda demonstra que, mais do que crescer e se reproduzir, as plantas priorizam a sobrevivência de um ano para o outro. Durante décadas, os ecólogos tentaram prever como as populações respondem às mudanças ambientais com base nas características moldadas por sua história evolutiva. “Nossos estudos mostram que a resiliência não é determinada apenas pelos atributos das espécies. Ela emerge do equilíbrio constante entre sobrevivência, crescimento e reprodução em um ambiente em permanente transformação”, destaca o pesquisador e professor do Departamento de Biologia da Universidade de Oxford, Roberto Salguero-Gómez.
Uma das espécies estudadas pelos pesquisadores foi a palmeira-juçara (Euterpe edulis), espécie endêmica da Mata Atlântica que se encontra ameaçada de extinção. Estudos recentes já alertavam que as mudanças climáticas e as alterações nos regimes de chuvas serão um problema crítico para a juçara. Esse cenário tende a se intensificar ainda mais pela ação humana direta.
“Por exemplo, os estudos feitos em 2022 mostram que, embora a retirada dos frutos não afete a população, a extração do palmito leva à morte do indivíduo, dizimando rapidamente as populações — um exemplo claro na Mata Atlântica de que a sobrevivência da planta é mais importante do que sua reprodução. Diante dessa vulnerabilidade climática somada à extração ilegal do palmito, pensar em estratégias de conservação mais eficientes torna-se ainda mais urgente”, finaliza Santos.
Leia o artigo na íntegra.

