O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) conta com um cantinho especial para oferecer conforto e acolhimento às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA): o Espaço Humanizar TEA. Inaugurado em outubro do ano passado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o local foi projetado para reduzir estímulos visuais e sonoros, proporcionando tranquilidade aos pequenos, e desenvolver habilidades psicomotoras por meio de brinquedos e atividades lúdicas.
O ambiente funciona como um suporte terapêutico dentro do hospital. As crianças neurodivergentes atendidas pelo equipamento podem ser encaminhadas ao espaço conforme avaliação da equipe durante a internação ou período de espera. Na sala, elas têm acesso a artigos voltados à motricidade fina e que auxiliam na regulação emocional, como paineis sensoriais, blocos de montar, quebra-cabeças e jogos de encaixe. O atendimento contempla uma única criança por vez, acompanhada do responsável, por equipe multiprofissional.
O superintendente do hospital, Diêgo Figueiredo, salienta que a sala reforça o compromisso da rede pública com a inclusão e a humanização no cuidado em saúde. “A pauta dos transtornos do neurodesenvolvimento vem tomando cada vez mais espaço. São pacientes que também apresentam outras condições clínicas e acabam precisando desse atendimento complementar”, explica. “Vimos a necessidade de adaptar um ambiente para esses pacientes, garantindo segurança e qualidade na assistência.”
O ambiente foi planejado para quebrar a rotina hospitalar tradicional, com redução do ruído externo e iluminação adequada. “O hospital costuma ser um ambiente muito frio. Aqui, a criança consegue se acalmar, brincar e até se desenvolver, porque o brinquedo também estimula aspectos motores e cognitivos”, destaca Anucha Soares, gerente-geral de Humanização e Experiência do Paciente do IgesDF, setor responsável pela execução e pela articulação institucional da iniciativa.
De acordo com ela, o impacto vai além do conforto imediato. “Uma criança em crise, muitas vezes, não consegue permanecer em um ambiente com muitas pessoas. Esse espaço ajuda na regulação, permitindo que a assistência aconteça com mais sucesso”, afirma Anucha, acrescentando que o mobiliário e brinquedos foram doados pela GPS Foundation, sem a utilização de recursos próprios do IgesDF.
A terapeuta ocupacional Bárbara Úrsula, uma das responsáveis pela assistência no espaço, observa que os artigos disponíveis no ambiente ajudam a tornar a experiência das crianças menos estressantes e mais humanizadas. “Aqui, temos recursos que muitas vezes essas crianças não têm acesso em casa. Ter isso disponível no SUS é muito importante e faz diferença no atendimento.”
As unidades de pronto atendimento (UPAs) de Sobradinho, São Sebastião, Ceilândia I, Recanto das Emas também disponibilizam espaços lúdicos e terapêuticos para tornar o atendimento infantil mais acolhedor. Os Espaços Humanizar Kids contam com paredes coloridas, brinquedos inclusivos, livros e painéis interativos, pensados para reduzir o estresse e a ansiedade de crianças e responsáveis durante a espera.

