Identificar áreas que podem ser atingidas por inundações, acompanhar as condições de plantações e mapear construções em regiões urbanas são algumas das tarefas que a inteligência artificial pode fazer a partir de imagens captadas no espaço. Agora, estudantes e jovens pesquisadores terão a oportunidade de desenvolver tecnologias para essas aplicações em uma competição internacional que conta com a participação do Brasil.
Estão abertas, até 23 de outubro, as inscrições para a Competição de Soluções de IA Espacial AI4SDGs 2026, promovida pela STAR.VISION em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa foi lançada em 5 de outubro, durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), e reúne participantes de universidades e instituições de pesquisa de diferentes países.
A proposta é aproximar duas tecnologias que já fazem parte do nosso cotidiano, mesmo quando não percebemos: os satélites, capazes de observar grandes extensões da superfície terrestre, e a inteligência artificial, que permite analisar enormes quantidades de informações em pouco tempo. Juntas, elas podem ajudar a identificar mudanças no território e produzir informações úteis para a agricultura, o planejamento das cidades e a prevenção de desastres.
Três desafios, diferentes aplicações
A competição está dividida em três desafios. No primeiro, os participantes deverão desenvolver ferramentas capazes de identificar construções individuais em assentamentos informais a partir de imagens de satélite. Esse tipo de mapeamento pode contribuir para conhecer melhor a ocupação das cidades e apoiar o planejamento de infraestrutura e serviços públicos.
O segundo desafio trata da identificação de rios, lagos e outras áreas cobertas por água. A partir de imagens de satélite, as equipes deverão criar modelos capazes de reconhecer e delimitar essas regiões, uma tecnologia que pode contribuir para o acompanhamento de inundações e a identificação de áreas afetadas por enchentes.
Na terceira modalidade, o olhar se volta para o campo. Os participantes utilizarão imagens que registram diferentes faixas de luz para identificar culturas agrícolas e avaliar as condições das plantações. Essas informações podem ajudar a acompanhar o desenvolvimento das lavouras e identificar alterações que nem sempre são perceptíveis a olho nu.
Como participar
A primeira etapa da competição segue até 23 de outubro. Nesse período, as equipes interessadas deverão apresentar uma proposta que explique a solução pretendida, sua viabilidade, o caráter inovador e as possibilidades de aplicação.
Os grupos selecionados avançarão para a segunda fase, prevista para 9 de novembro a 18 de dezembro. Nessa etapa, terão acesso aos conjuntos de dados disponibilizados pela organização para desenvolver os modelos de inteligência artificial e apresentar seus resultados.
A final global está programada para ocorrer de 16 de janeiro a 14 de fevereiro de 2027, com divulgação dos resultados regionais e internacionais prevista para 15 de março.
Na América do Sul, a AEB participa da organização regional da iniciativa, que busca envolver universidades, instituições de pesquisa e organizações ligadas ao setor espacial.
As inscrições e as informações sobre os requisitos técnicos estão disponíveis na página oficial da competição.

