A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) atua diariamente para proteger o ecossistema acadêmico e científico contra ameaças digitais em todo o País. Por meio da integração estrutural entre inteligência e operação contínua, a organização monitora, previne e bloqueia incidentes virtuais em tempo real. O trabalho coordenado assegura que universidades, centros de inovação e projetos apoiados pelo Governo Federal desenvolvam suas atividades sem as paralisações sistêmicas provocadas por ataques cibernéticos.
A internet funciona como um ambiente de risco constante para quem lida com dados sensíveis e pesquisa de ponta. O gerente de Operações de Segurança da RNP, Ivan Benevides, define o cenário tecnológico atual como uma selva digital. Para dar conta desse volume de exposição, a defesa da rede opera sobre dois pilares complementares: o Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (Cais) e o Centro de Operações de Segurança (SOC). Juntos, eles conectam o planejamento estratégico com a pronta-resposta técnica.
O suporte foca primariamente nas instituições que compõem o sistema nacional de educação e inovação. A expertise acumulada, no entanto, beneficia a esfera pública como um todo. “Nós atendemos o setor de educação, inovação e pesquisa, porém, por determinados momentos, a gente acaba apoiando outras instituições, visando a questão da melhoria de maturidade do Brasil na questão da segurança da informação”, explica Benevides.
Serviço prestado
As organizações acionam a RNP para serviços amplos. A cobertura vai desde a análise preventiva de vulnerabilidades e testes de invasão (quando especialistas simulam ataques controlados para encontrar falhas) até o suporte técnico direto quando um ambiente sofre um rompimento de barreiras.
Na prática, a equipe técnica enfrenta tentativas rotineiras de invasão. Os acionamentos mais comuns envolvem o vazamento de credenciais, falhas de segurança em e-mails corporativos e a pichação de sites (quando hackers alteram o visual e o conteúdo da página inicial de um portal público).
Identificar essas ações exige alto grau de visibilidade da rede. As invasões costumam apresentar um ciclo claro de começo, meio e fim (embora o invasor muitas vezes consiga acessar o sistema e aguardar silenciosamente pelo momento oportuno de agir). Com plataformas de monitoramento ativas, a equipe de defesa enxerga comportamentos anômalos e interrompe a cadeia de execução antes que a extração de dados ocorra.
As responsabilidades são divididas metodicamente. O Cais concentra a inteligência prévia. O grupo foca em ações preventivas, campanhas de conscientização e alertas. Ele também abriga equipes dedicadas à avaliação prévia de arquiteturas de sistemas. O SOC executa a vigilância tática. Funcionando sem interrupções durante as 24 horas do dia, os profissionais fazem coletas de provas (forense digital) e isolam servidores comprometidos para frear o avanço de códigos maliciosos.
“O ideal é que a gente sempre trabalhe preventivamente e faça o nosso dever de casa na questão da proteção”, destaca Benevides.
Mitigação de riscos
A mitigação real de riscos passa pela construção de uma rotina preventiva entre os próprios usuários e servidores públicos. Benevides reforça as principais dicas para o público geral. Ele orienta uma abordagem de defesa desde a concepção do ambiente de trabalho. “Ativação do duplo fator de autenticação nas contas, a adoção de senhas fortes sempre e a não exposição de ambientes para a internet quando não for necessário”, enumera.

