Reduzir o tempo de espera entre as etapas da internação, agilizar a liberação de leitos e ampliar o acesso ao tratamento ortopédico. Com esse objetivo, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) iniciou uma série de reuniões e oficinas para reorganizar os fluxos assistenciais da ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A iniciativa reúne profissionais de diferentes áreas para analisar toda a jornada da internação, desde a realização de exames e procedimentos cirúrgicos até transferências e planejamento da alta hospitalar, tornando o atendimento mais eficiente e integrado.
O trabalho é coordenado pela Superintendência de Qualidade e Melhoria de Processos (Sumec), em parceria com a Gerência-Geral de Assistência (Gegas) do Hospital de Base, e utiliza ferramentas da metodologia Lean Healthcare, amplamente empregada para identificar oportunidades de melhoria e aumentar a eficiência dos serviços.
Para a gerente-geral de Assistência do Hospital de Base, Ana Patrícia de Paula, a reorganização dos fluxos representa uma mudança na forma como o cuidado é conduzido dentro da unidade. O projeto busca fortalecer a integração entre as equipes para que o paciente tenha uma assistência mais contínua, segura e organizada durante toda a internação.
A estratégia também incorpora o conceito de navegação do paciente, modelo que acompanha de forma organizada toda a trajetória da internação. O objetivo é garantir que as informações circulem entre as equipes de forma segura e que cada etapa do atendimento aconteça no momento adequado, favorecendo a continuidade do cuidado até a alta hospitalar.
“O paciente precisa estar no centro de todas as decisões. Quando cada profissional compreende seu papel e atua de forma integrada com as demais equipes, conseguimos oferecer uma assistência mais segura, reduzir o tempo entre as etapas do cuidado e proporcionar uma experiência melhor para quem está internado”, afirma.
Para a gerente-geral de Excelência Operacional, Isabel Lima, um dos principais ganhos da iniciativa é a visão ampliada sobre a assistência prestada.
“O mapeamento permite enxergar o processo como um todo, identificar o que agrega valor ao paciente e compreender as necessidades de cada área envolvida”, destaca.
Na prática, os resultados já começam a ser percebidos pelas equipes que atuam diretamente na unidade. A enfermeira da ortopedia Thailla Rocha acompanha de perto as discussões e observa avanços importantes na integração entre os profissionais.
“A comunicação entre enfermagem, transporte, radiologia, gestão de leitos e demais setores envolvidos se fortaleceu significativamente, permitindo mais agilidade em etapas essenciais para o cuidado ao paciente”, afirma.
Segundo ela, essa aproximação tem contribuído para tornar a assistência mais fluida e organizada.
“A realização de exames, o planejamento das cirurgias, as admissões, transferências e altas passaram a ocorrer de forma mais alinhada entre as equipes, reduzindo etapas desnecessárias e favorecendo uma condução mais eficiente da jornada do paciente”, ressalta.
Trabalho integrado
As oficinas reúnem representantes da ortopedia, enfermagem, gestão de leitos, radiologia, transporte interno, higienização, hotelaria e outros setores que participam diretamente da jornada do paciente.
Para a coordenadora de Melhoria Contínua, Bruna Canedo, reunir todos os envolvidos em um mesmo processo é o que permite identificar oportunidades de melhoria de forma mais eficiente.
“Quando todas as equipes analisam juntas o fluxo completo, conseguimos identificar oportunidades de melhoria e direcionar esforços para tornar o processo mais integrado e eficiente”, explica.
Durante os encontros, os profissionais mapeiam cada etapa da assistência, identificando tempos de espera, pontos de atenção e possibilidades de aperfeiçoamento. A análise permitiu visualizar desde o planejamento da alta hospitalar até a realização de exames, o transporte interno, a higienização dos leitos e a comunicação entre os setores, criando uma base sólida para a elaboração de um plano de ação voltado à melhoria contínua.
A iniciativa também beneficia pacientes que aguardam atendimento especializado. Com processos mais integrados e previsíveis, os leitos podem ser liberados mais rapidamente, ampliando a capacidade de atendimento da unidade e reduzindo o tempo de espera por novas internações.
Para Bruna Canedo, o impacto vai além dos indicadores operacionais.
“O principal resultado esperado é construir um fluxo cada vez mais eficiente, permitindo que o paciente receba a assistência necessária no tempo adequado e que as equipes atuem de forma mais integrada ao longo de toda a jornada hospitalar”, pontua.
As reuniões seguem em andamento e darão origem a novas ações de melhoria ao longo dos próximos meses. A expectativa é consolidar um modelo cada vez mais colaborativo, no qual diferentes áreas atuem de forma integrada para aprimorar os fluxos assistenciais da ortopedia do Hospital de Base.
Mais do que otimizar processos, a iniciativa busca tornar a utilização dos recursos hospitalares mais eficiente, fortalecendo a capacidade de atendimento e beneficiando diretamente a população atendida.
*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

