O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), encerram nesta quinta-feira (22), em Brasília (DF), a avaliação de 38 projetos de pesquisa sobre mudança do clima que estão em fase de finalização ou finalizados.
O seminário de avaliação é um mecanismo para acompanhar os avanços e os desafios encontrados na execução dos projetos. Esta foi a segunda etapa do seminário que avaliou o total de 68 projetos selecionados por meio do Edital nº 59/2022. A primeira etapa, ocorrida em abril deste ano, reuniu 30 projetos e se concentrou nas áreas de meteorologia e projeções climáticas.
O comitê científico de avaliação é formado pelos pesquisadores Tércio Ambrizzi, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP); Marcos Heil Costa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV); e Luiz Machado, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Os coordenadores dos projetos em fase de finalização apresentaram os resultados alcançados, os desafios encontrados e as lacunas que ainda persistem. De modo geral, os relatos dos pesquisadores informaram que o aporte do edital foi importante para manter trabalhos de pesquisa, bolsistas, investimentos em laboratórios e demais recursos científicos.
Aplicação prática
Segundo o comitê científico, os projetos executados demonstraram alto nível, com o cumprimento das metas estabelecidas e contribuindo com a criação de redes de pesquisa, formação de recursos humanos e, principalmente, com a produção de dados que contribuem diretamente para a compreensão e no desenvolvimento de soluções de questões nacionais diante do cenário de mudança do clima.
“É um prazer estar aqui e ver o quanto a nossa ciência pode desenvolver e está desenvolvendo atualmente”, afirma Ambrizzi. “Vários projetos têm grande potencial para contribuir efetivamente com o desenvolvimento do País”, complementou o avaliador.
Conforme a programação, nesta quarta-feira (20), os temas se concentraram na área de agropecuária e florestas. Os dados de campo apresentados sobre fatores de emissão de algumas culturas e regiões do País podem contribuir, por exemplo, para o aprimoramento de setores do Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases. “Os resultados que estamos vendo são totalmente aderentes às necessidades do inventário, suprindo lacunas de fatores de emissão de agropecuária. Hoje, estamos discutindo como extrapolar esses dados”, afirmou Costa.
De acordo com a coordenadora dos Programas de Pesquisa em Ciências Ambientais e do Mar do CNPq, Margareth Carvalho, os 68 projetos foram aprovados em um momento em que havia escassez de fomento para essa área de pesquisa e, ao mesmo tempo, necessidade de produzir resultados para avançar na fronteira do conhecimento para direcionar outros projetos e estudos.
A execução fomentou a formação de novos pesquisadores, patentes, criação de startups, publicações científicas, entre outros. Carvalho avalia que esses resultados são positivos e que apontam a necessidade de continuar avançando na fronteira do conhecimento sobre a mudança do clima. “Temos resultados concretos com esses projetos que apontam a necessidade de continuação de financiamento”, explica. “Esse tema abarca muitas áreas. É saúde, é meio de vida, é cidade, é tudo. Tudo o que a sociedade brasileira precisa para pensar no futuro com a questão da mudança do clima”, complementa.
Em maio de 2025, o conselho diretor do Fundo Nacional para o Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDC) aprovou o programa SOS Clima Brasil, voltado ao monitoramento e enfrentamento da mudança do clima. O MCTI e o CNPq são responsáveis pela elaboração dos editais que contemplem as demandas. O seminário de avaliação apresenta subsídios que contribuem para o planejamento dos próximos editais.
O Edital nº 59/2022 investiu R$ 50 milhões de recursos do FNDCT no desenvolvimento de projetos voltados à produção de conhecimento para soluções e tecnologias associadas à mitigação e adaptação à mudança do clima. O edital contemplou cinco linhas de pesquisa: modelagem do sistema climático global, impactos, vulnerabilidade e adaptação, e monitoramento e previsão de desastres; desenvolvimento em tecnologias para redução de emissões de gases de efeito estufa; conscientização e aumento da difusão do conhecimento; simulações econômicas para crescimento verde e projetos de grupos de pesquisa emergentes.
O valor médio investido por projeto foi entre R$ 900mil a R$1 milhão. O número é superior ao normalmente investido em chamadas universais, com patamar em torno de R$ 300 mil. “Em cada projeto, vejo benefício muito maior do que o investido. Resultados com aplicações práticas fundamentais para o desenvolvimento do País”, analisa o pesquisador Luiz Machado.

