O CTI Renato Archer, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou a adesão à Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais (Renama). O objetivo é usar a infraestrutura da instituição em biofabricação, biossensores e microeletrônica para desenvolver métodos que substituam os testes com animais em pesquisas científicas.
Dois projetos do CTI usam modelos físicos e digitais, conhecidos como órgãos em chip (organ-on-a-chip, em inglês) capazes de simular em laboratório o funcionamento de tecidos afetados por doenças. Eles são o CTICARE, com financiamento da Finep, e o Geração, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). A metodologia ajuda a estudar doenças e avaliar tratamentos sem o uso de animais.
De acordo com Larissa Ribeiro, pesquisadora colaboradora do CTI, a adesão à Renama reforça o posicionamento do CTI como parceiro no desenvolvimento de métodos alternativos.
“Essa participação acompanha uma tendência internacional de ampliar a adoção de modelos com células e tecidos humanos, órgãos em chip e ferramentas computacionais para estudar doenças e investigar a atividade terapêutica e apoiar o desenvolvimento de novos medicamentos”, afirma a pesquisadora.
O Centro Temático de Pesquisa Integrada em Compostos Bioativos, Microfluídica e Enfermidades Raras (CTICARE) utiliza a tecnologia de órgãos em chip, que reproduz em microescala aspectos do tecido ósseo e sistema vascular para estudar a anemia falciforme, doença que altera o formato das hemácias e prejudica o transporte de oxigênio para os tecidos.
Já o projeto Geração propõe a criação de uma Plataforma Híbrida Inteligente para Regeneração Óssea ao estudar os efeitos da leucemia linfoide aguda, câncer que afeta principalmente crianças e adolescentes. A compreensão das doenças ajuda a buscar tratamentos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes.
“Ambos os modelos experimentais serão integrados a um ‘gêmeo digital’, uma representação computacional alimentada pelos dados obtidos nos experimentos”, afirma a pesquisadora. “Essa integração busca acompanhar a evolução do sistema, compreender suas respostas e simular diferentes condições, apoiando o estudo dos projetos em vigência e, consequentemente, de outros projetos futuros”, complementa.

- Dispositivo lab-on-a-chip baseado em tecnologia eletroacústica, desenvolvido no CTI Renato Archer para estudar a cicatrização de feridas, durante análise por microscopia.

- Bone-on-a-chip ou “osso-em-chip” em desenvolvimento no CTI Renato Archer, com três câmaras de cultivo. O dispositivo combina estruturas tridimensionais de suporte às células e canais microfluídicos que permitem a circulação do meio de cultura, favorecendo o fornecimento de nutrientes e oxigênio em um ambiente dinâmico para investigar a formação e a reabsorção óssea em determinadas condições biológicas.
Renama
Criada pelo MCTI em 2021, a Renama é uma rede de laboratórios públicos e privados que pesquisam métodos alternativos ao uso de animais. São três laboratórios centrais e 51 laboratórios associados que compõem a iniciativa.
Desde 2025, a lei estabeleceu a proibição de testes com animais para cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes. Em outras áreas de pesquisa, a tendência é reduzir progressivamente o uso de animais por métodos alternativos confiáveis.
O MCTI também abriga o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), que é um órgão colegiado responsável por credenciar instituições para criação ou uso de animais em pesquisa, estabelecer regras para pesquisas científicas e aprovar técnicas alternativas ao uso de animais.

