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Chuvas alertam para presença de caramujo africano no DF

Com as chuvas frequentes, quintais e terrenos molhados com vegetação alta tornam-se ambientes ideais para o aparecimento do caramujo africano. O aumento da umidade favorece a atividade do molusco, que pode representar riscos à saúde caso não haja manejo adequado e cuidados contínuos.

De acordo com o biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF), a melhor maneira de evitar a proliferação do caracol é manter o controle constante. “A coleta deve ser diária ou ao menos três vezes por semana, especialmente após a chuva ou em horários mais frescos do dia, quando os animais estão mais ativos”, explica.

Segundo o especialista, a infestação pode ser evitada ao manter os quintais limpos, com vegetação baixa e livres de entulho e restos de material de construção.

O que fazer ao encontrar um?

Caso identifique o molusco em casa, o próprio morador pode fazer a coleta, sempre utilizando luvas ou sacos plásticos. Os animais devem ser colocados em balde ou lata metálica. Também é fundamental procurar pelos ovos do caracol, que costumam estar semienterrados em locais úmidos, sob folhas, junto a entulhos e restos de construção.

Tanto as conchas quanto os ovos devem ser esmagados com um martelo ou um pedaço de madeira. A quebra das conchas é necessária para evitar que acumulem água e se tornem possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, da febre chikungunya e da zika.

Passado esse período, os caracóis e os ovos devem ser drenados e colocados em saco resistente para descarte no lixo comum. Outra forma é enterrá-los. “Neste último caso, o material drenado pode ser colocado em valas com profundidade de 80 cm a 1,5 metro, revestidas por uma camada de cal virgem, que tem a função de impermeabilizar o solo e evitar que outros animais sejam atraídos. Esse processo deve ser feito longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos”, alerta Moreira.

A população também pode acionar a Dival pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160. Os profissionais vão identificar se o caracol é africano ou nativo e orientar o manejo.

Como identificar

Conhecido popularmente como caramujo africano — cujo nome correto é caracol africano (Achatina fulica) —, o animal é considerado uma espécie exótica e invasora no Brasil. Hermafrodita, pode se reproduzir de duas a cinco vezes ao ano e colocar de 50 a 400 ovos por ciclo reprodutivo. Os ovos são brancos ou amarelados, com tamanho semelhante ao de sementes de mamão.

A concha do caracol africano é marrom-escura, com listras esbranquiçadas, e pode atingir até 15 centímetros de comprimento. Nela há uma abertura com borda afiada e cortante, além da ponta alongada na parte traseira. Essas características diferenciam-se das conchas das espécies nativas do Brasil, pertencentes ao gênero Megalobulimus, que apresentam coloração marrom-clara a rosada.

Riscos à saúde

Quando infectado por vermes, o molusco pode contaminar seres humanos por meio de superfícies de diferentes alimentos, provocando doenças como meningite eosinofílica (inflamação das membranas cerebrais) e enterite eosinofílica (doença crônica no intestino delgado).

A infecção ocorre principalmente pela ingestão de larvas presentes em frutas, verduras e hortaliças que tiveram contato com o muco deixado pelo molusco. Também pode ocorrer ao tocar o animal sem proteção e, em seguida, levar as mãos à boca ou aos olhos antes de higienizá-las.

Por isso, a proteção e a higienização adequada desses alimentos são indispensáveis. Recomenda-se deixá-los por 30 minutos em solução preparada com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água e, depois, enxaguá-los bem em água corrente antes do consumo.

*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

Fonte: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/chuvas-alertam-para-presenca-de-caramujo-africano-no-df

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