Grande parte das reservas de petróleo e gás do pré-sal brasileiro está armazenada em rochas carbonáticas, formadas ao longo de milhões de anos. Diferentemente dos arenitos, essas rochas sofreram intensos processos naturais de dissolução pela água durante sua formação geológica, o que resultou no aparecimento de uma complexa rede de fraturas de diferentes tamanhos.
Elas funcionam como verdadeiras estradas por onde circulam os fluidos no interior da Terra, como petróleo, água, gás natural e também dióxido de carbono (CO₂). Por isso, conhecer com precisão essas aberturas, isto é, a distância entre suas paredes, é essencial para prever o comportamento dos reservatórios e planejar sua exploração de forma segura e eficiente.
O problema é que essas aberturas são normalmente medidas em laboratório, onde as amostras de rocha estão praticamente livres das enormes pressões existentes no subsolo. Em um reservatório, a vários quilômetros de profundidade, o peso das camadas de rocha sobrepostas exerce forças muito elevadas, comprimindo as fraturas e reduzindo significativamente sua abertura. Assim, utilizar as medidas obtidas em laboratório pode levar os cientistas a estimativas pouco realistas do fluxo de fluidos no reservatório.
Para resolver esse desafio, pesquisadores do grupo Comopore (Computational Modeling of Porous Materials), do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), desenvolveram uma ferramenta computacional baseada em modelos matemáticos e mecânicos capaz de corrigir as medidas em laboratório para as reais condições encontradas em subsuperfície.
“Essa correção permite representar de forma muito mais fiel o comportamento das fraturas em grandes profundidades, aumentando a confiabilidade das simulações numéricas utilizadas pela indústria de petróleo e gás”, explica o pesquisador do LNCC e um dos desenvolvedores da ferramenta, Márcio Murad. O avanço contribui para previsões mais precisas da produção de hidrocarbonetos e para aplicações estratégicas da transição energética, como o armazenamento geológico de CO₂, tecnologia fundamental para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O LNCC é uma unidade de pesquisa vinculada ao MCTI.

