Um método desenvolvido no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) reduz de 72 horas para cerca de 60 minutos o preparo de amostras usadas em pesquisas com implantes de titânio. Ao tornar as análises mais rápidas e preservar melhor as células, a técnica pode acelerar o desenvolvimento das próteses com processos de fabricação mais simples e de menor custo, ampliando, no futuro, o acesso da população à recuperação dos dentes e à saúde bucal.
O estudo foi conduzido pela pesquisadora titular do Cetene, Giovanna Machado, em parceria com integrantes do Laboratório de Bionanomateriais do centro, onde a equipe inovou no desenvolvimento de um protocolo aprimorado para a preparação de amostras biológicas utilizando microscopia eletrônica de varredura. Este novo método reduz drasticamente o tempo de preparação, além de preservar a integridade estrutural das células e proporcionar uma visualização mais clara. O Cetene é uma unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Antes de chegar aos pacientes ou ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a tecnologia precisará passar por novas avaliações para confirmar sua segurança, seu funcionamento e sua viabilidade de produção em maior escala.
Utilização de nanotecnologia em titânio
O titânio é um metal usado em implantes dentários e outros dispositivos médicos por apresentar maior resistência e melhor capacidade de interação com o organismo. Na tecnologia estudada pelo Cetene, a superfície do metal recebe estruturas microscópicas, chamadas nanotubos. Semelhantes a pequenos tubos, essas estruturas são criadas com o uso de eletricidade e uma solução química.
A modificação aumenta a área de contato da superfície com as células, além de melhorar a capacidade de líquidos se espalharem sobre o material. Essa característica, chamada molhabilidade, é importante para a interação entre o implante, os fluidos do organismo e o tecido ósseo. Esse processo acelera o período de adaptação do corpo ao implante.
Próximos passos
A tecnologia está nos níveis 4 e 5 de maturidade, em termos simples, isso significa que os protótipos já foram testados em laboratório, mas ainda não estão prontos para uso clínico ou comercial. As próximas etapas incluem, ainda, novas validações, adequação regulatória e estudos para ampliar a escala de produção.
O estudo contou com apoio do MCTI, por meio do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias, além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

