Vinte e um equipamentos de triagem digital de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), desenvolvidos em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), estão em operação desde sexta-feira (24). A tecnologia automatiza a coleta de sinais vitais e, consequentemente, reduz o tempo de espera nas filas e padroniza o acolhimento médico comunitário. Os aparelhos estão em teste e foram instalados na rede de Catalão (GO). Eles vão beneficiar, inicialmente, cerca de 90 mil moradores das áreas urbana e rural.
A estratégia prevê a instalação de 84 totens nas próximas etapas. Eles serão distribuídos entre Boa Vista (RR), Recife (PE) e Vinhedo (SP). A seleção desses locais buscou refletir a diversidade de infraestrutura e os diferentes perfis demográficos da população brasileira.
Sobre a tecnologia
Os aparelhos medem indicadores clínicos de forma automática e simultânea, como pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, temperatura corporal, peso, altura e Índice de Massa Corporal (IMC). O sistema processa os resultados rapidamente a partir de algoritmos de classificação de risco. Essa inteligência artificial aponta a gravidade de cada quadro clínico para auxiliar a equipe médica na priorização do atendimento dos casos urgentes.
A máquina registra as informações diretamente no prontuário eletrônico do município. Esse fluxo direto poupa o tempo do paciente, garante a segurança da informação e evita o retrabalho manual dos profissionais de enfermagem na triagem tradicional.
Para o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, André Marins, a inovação modifica a jornada do cidadão dentro da unidade de saúde. “A principal expectativa é tornar o processo de acolhimento e monitoramento dos pacientes mais ágil, padronizado e integrado aos sistemas digitais de saúde”, explica. A RNP é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Avaliação dos resultados
Para avaliar o resultado da implementação da nova tecnologia, ao longo de 17 meses, será comparada a rotina das unidades de saúde antes e depois da instalação dos equipamentos e fazer os ajustes necessários.
“Serão observados fatores como qualidade e consistência dos dados coletados, facilidade de utilização pelos usuários e a aderência aos fluxos assistenciais locais”, reforça o gerente da RNP. Futuramente, os dados populacionais coletados poderão alimentar painéis de monitoramento epidemiológico. O cruzamento contínuo dessas informações dará suporte técnico a decisões baseadas em evidências para estruturar políticas públicas de prevenção mais eficientes em todo o País.
A RNP atua no projeto como entidade gestora e coordenadora do PPI Saúde Digital, sendo responsável pela governança, pelo acompanhamento técnico e financeiro, pela avaliação das entregas, pela gestão de risco e pela garantia da conformidade do projeto com os objetivos de pesquisa e desenvolvimento. Seu papel é assegurar que os recursos públicos sejam aplicados de forma transparente, que as entregas sejam avaliadas com rigor técnico e que os resultados gerem evidências e conhecimentos relevantes para o aprimoramento da Saúde Digital no SUS.

