Uma pesquisa desenvolvida por Beatriz Maciel, ex-aluna da 11ª turma do mestrado profissional em Ciências para a Saúde da Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP/DF) e servidora da Secretaria de Saúde (SES-DF), recebeu reconhecimento internacional na 22nd Biennial International Conference on Human Retrovirology: HTLV and related viruses, realizada na Filadélfia (EUA) entre os dias 3 e 6 deste mês.
A pesquisa “Impact of antenatal HTLV-1/2 screening on vertical transmission in Distrito Federal, Brazil” demonstra a eficácia de medidas adotadas no Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir a transmissão vertical do HTLV, vírus que pode passar da mãe para o bebê durante a gestação, no parto ou na amamentação.
O trabalho em formato de pôster recebeu a premiação Runner Up Poster Prize, um reconhecimento internacional pela qualidade científica, clareza da apresentação e relevância do tema. Os resultados mostraram que a identificação precoce das gestantes, aliada à adoção de medidas preventivas, como a não amamentação, o uso de cabergolina e a oferta de fórmula láctea infantil, contribuíram para interromper a transmissão do vírus da mãe para o bebê.
O trabalho foi resultado da dissertação de mestrado da servidora, intitulada “Transmissão vertical do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV) no Distrito Federal: uma realidade?”, orientada pela docente Aline Imoto. “Foi um momento muito emocionante, porque esse reconhecimento internacional valoriza uma pesquisa produzida a partir da realidade do SUS e voltada para um problema de saúde pública ainda pouco visibilizado”, destaca Beatriz Maciel.
DISSERTAÇÃO
Segundo a pesquisadora, o estudo permitiu identificar desafios na organização da linha de cuidado e na orientação às mulheres e famílias acompanhadas pelos serviços de saúde. “O HTLV ainda é uma infecção pouco conhecida, apesar de seus impactos na saúde e do risco de transmissão vertical. Ao produzir dados locais e materiais educativos, a pesquisa contribui para dar visibilidade ao tema, apoiar profissionais de saúde e qualificar a orientação às gestantes e famílias”, afirma.
O Distrito Federal realiza a testagem para HTLV no pré-natal desde 2013, antes mesmo da incorporação nacional do exame pelo SUS, o que contribuiu para a construção de uma experiência local relevante para a prevenção da transmissão vertical.
“Esse reconhecimento internacional valoriza uma pesquisa produzida a partir da realidade do SUS e voltada para um problema de saúde pública ainda pouco visibilizado”
Além da dissertação, a pesquisa resultou na produção de cartazes e materiais educativos destinados a profissionais de saúde, gestantes e familiares, ampliando o alcance das informações sobre prevenção e cuidado. O desenvolvimento desses produtos contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
Para Beatriz Maciel, a principal contribuição do trabalho está na aproximação entre a produção científica e a prática dos serviços de saúde. “É uma pesquisa que nasce de uma demanda concreta da saúde pública e dialoga diretamente com a necessidade de organizar melhor a resposta ao HTLV no SUS”, disse. Segundo Beatriz, “ela une vigilância, assistência, educação em saúde e produção de tecnologias aplicadas ao cuidado”.
O que é o HTLV
O HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) foi o primeiro retrovírus humano oncogênico causador de doença infecciosa a ser descoberto, na década de 1980. Esse vírus infecta principalmente as células do sistema imunológico (LT CD4+) e possui a capacidade de imortalizá-las, fazendo com que percam sua função de defender o organismo. As formas de transmissão do HTLV são a vertical (de mãe infectada para o filho) durante a amamentação e, mais raramente, durante a gestação, relação sexual desprotegida (sem uso de preservativo) com parceiro infectado e o compartilhamento de seringas e agulhas.
*Com informações da Fapecs

