Há pouco mais de um mês, a fisioterapeuta Thaysa Gabrielle Oliveira não imaginava o quanto teria que mudar como enxerga a profissão. “É preciso reaprender para ver o que conseguimos adaptar”, sugere.
Thaysa integra a Residência Multiprofissional em Atenção Básica com Ênfase em Práticas Integrativas, programa da Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP-DF), vinculada à Secretaria de Saúde (SES-DF). Neste semestre, o cenário de aprendizagem é a Unidade Básica de Saúde Prisional (UBSP) 20 de São Sebastião, localizada no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.
O programa é o segundo do país com foco em práticas integrativas em saúde (PIS) e o primeiro que considera o cenário da residência em ambiente prisional. Segundo a terapeuta ocupacional Yasmim Ferreira, o lugar escolhido está fazendo diferença. “Aqui, aprendo a valorizar o simples a partir da percepção dos usuários sobre um cuidado descomplicado, mas que traz benefícios ao cotidiano de forma significativa”.
Lançado em 2025 e com dois anos de duração, hoje o programa reúne 11 residentes no segundo ano de formação. Para a turma de 2026, foram acolhidos mais 13 novos profissionais, entre nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e profissionais de educação física.
Ferramenta mágica
A inserção do cenário inédito (sistema prisional) ao plano de residência contou com a colaboração da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF), da Vara de Execuções Penais e das direções dos estabelecimentos prisionais.
A coordenadora da residência, Thaís Lima, avalia que essa é uma conquista. “Há ganhos tanto para os residentes, que vão vivenciar um cenário bastante rico e específico da atenção primária à saúde (APS), quanto para a unidade, que recebe reforço na ampliação de formas de cuidado às pessoas privadas de liberdade”.
Tal como em toda a APS, as PIS possuem grande potência na Saúde Prisional, como atesta a enfermeira Glaucia Tavares. “Eu costumo falar que as práticas integrativas são como uma ‘ferramenta mágica’, que você prescreve uma vez ao paciente e ele adquire um poder de se cuidar”, compara.
Há seis anos atuando na SES-DF, com ações de saúde no interior dos estabelecimentos penais, Glaucia é especialista em Lian Gong e em técnica de redução de estresse (TRE), duas das 17 modalidades oferecidas. A profissional conta que as instruções são replicadas entre a população privada de liberdade. “Por mais que a gente consiga verificar os benefícios que as PIS possuem em tratamento de doenças crônicas e processos agudos, a repercussão e o alcance dessas práticas é muito maior do que podemos medir”, analisa.
Serviços de saúde
As PIS são reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medicinas tradicionais, complementares e integrativas (MTCI), um amplo conjunto de práticas baseadas em teorias e experiências de diferentes culturas. Na capital federal, em 2014, foi instituída a Política Distrital de Práticas Integrativas em Saúde (PDPIS), que regulamenta a oferta desses métodos na rede pública.
Ao todo, são dez Unidades Básicas de Saúde Prisional (UBSPs), localizadas no interior dos estabelecimentos penais do DF, que servem como ponto de atenção e ordenadora dos serviços de saúde a essa população.
RHAMB
No final de abril, a SES-DF inaugurou o primeiro Horto Agroflorestal Medicinais Biodinâmicos (RHAMB) do sistema prisional do DF. Localizado entre a Penitenciária do Distrito Federal IV (PDF IV) e o Centro de Detenção Provisória (CDP), o horto integra o crescente aperfeiçoamento da assistência em saúde em estabelecimentos prisionais. A iniciativa promove o cultivo de plantas para a melhoria de serviços e o bem-estar, beneficiando tanto detentos quanto profissionais do sistema prisional.
*Com informações da Secretaria de Saúde
Fonte: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/profissionais-de-saude-iniciam-residencia-na-papuda

