O Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal-LP), na Asa Norte, passou por reforma em áreas de diagnóstico, reabilitação e acolhimento de pacientes. Conveniada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a unidade integra a rede de assistência do Governo do Distrito Federal (GDF) e atende crianças, idosos e pessoas com deficiência auditiva, intelectual e com transtorno do espectro autista (TEA).
Especializado em reabilitação, o Ceal-LP oferece pelo Sistema Único de Saúde (SUS) serviços de avaliação, diagnóstico, intervenção terapêutica, adaptação de aparelhos auditivos e acesso ao sistema de frequência modulada (FM), entre outros atendimentos.
A reforma contemplou espaços usados no atendimento de bebês, crianças pequenas, idosos e familiares. Foram feitas troca de telhado, forro e piso, pintura, retirada de infiltrações, adequações nas redes elétrica, hidráulica e lógica, instalação de elevador, escadas de incêndio e portas corta-fogo, além de ajustes na recepção da clínica audiológica.
Segundo a direção do Ceal-LP, as obras receberam investimentos de cerca de R$ 1 milhão em emenda parlamentar da senadora Leila Barros. O investimento reforça a estrutura física de uma unidade que mantém atendimento pelo SUS por meio de convênio com a SES-DF.
A coordenadora do Ceal-LP, Maria Inês Serra, afirma que a parceria com o poder público é decisiva para manter o atendimento às famílias. “Se a gente não tem a parceria do GDF, não consegue oferecer para essas famílias o que entende como diferencial na vida delas”, disse. “São crianças que mudam de vida por esse atendimento, com uma equipe robusta, com fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria e psiquiatria infantil”.
Segundo Maria Inês, alguns espaços apresentavam limitações para o atendimento, realidade que mudou após a reforma. “Hoje temos um ambiente bonito, agradável, seguro, sem infiltrações, limpo e adequado para receber essas famílias”, aponta.
O diretor do Ceal-LP, padre José Rinaldi, destacou que a reforma teve impacto direto em dois momentos centrais do atendimento: o diagnóstico e o início da reabilitação. “No diagnóstico, passam bebês e idosos. Na reabilitação, os bebês e as famílias são acolhidos para começar um caminho de estímulo, terapia e mudança de vida”, afirmou.
Para o padre, o cuidado com o ambiente também pesa na forma como pacientes e familiares enfrentam o tratamento. “A reforma nos deu a possibilidade de oferecer ambientes bonitos e agradáveis a bebês e idosos em momentos importantes da vida deles”, disse. “Quando o idoso perde a audição, corre o risco de se afastar da família e da sociedade. Com diagnóstico, aparelho adequado e acompanhamento, ele recebe uma nova qualidade de vida”.
Atualmente, o Ceal-LP atende 420 crianças, segundo a coordenação da instituição. O centro oferece serviços como fonoterapia, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria, psiquiatria infantil, otorrinolaringologia e assistência social. No caso da deficiência auditiva, o acesso ocorre pelo Sistema de Regulação (Sisreg), após encaminhamento de médico otorrinolaringologista da rede pública.
Para reabilitação auditiva, deficiência intelectual e TEA, o acesso ainda não está regulado. Nesses casos, a unidade de saúde em que o usuário é atendido faz o encaminhamento ao Ceal-LP, que avalia o caso e orienta os próximos passos. Para o primeiro acesso, a família deve apresentar encaminhamento médico ou de especialista não médico da rede pública para entrada na lista de espera.
A prioridade para intervenção terapêutica contempla crianças de 6 meses a 7 anos, período considerado estratégico para o desenvolvimento. Segundo Maria Inês, a maior demanda hoje está no atendimento a crianças com autismo, com fila de espera superior a mil crianças.
Uma história que volta ao ponto de partida
Entre os exemplos do impacto do Ceal-LP está o de Lucas Vinícius Diniz, 22 anos. Surdo desde o nascimento, ele começou a ser atendido na instituição ainda criança e hoje trabalha no local como auxiliar administrativo. Com apoio da família e acompanhamento especializado, desenvolveu a comunicação oral, a leitura labial e o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“Eu comecei aqui com uns 7 ou 8 anos. Tive o apoio dos meus pais e do padre, que me colocaram para ler. O primeiro livro foi O Pequeno Príncipe. Fui forçando a leitura labial”, contou Lucas. “Sem esse suporte, minha vida seria bem diferente.”
Lucas usa implante coclear em um dos ouvidos. Sem o equipamento, sente apenas vibrações. Para ele, o acompanhamento recebido no Ceal-LP ajudou a enfrentar barreiras fora da instituição. “O mundo lá fora é difícil. Eu sei Libras, mas também é bom aprender português e outras formas de comunicação”, afirmou.
Serviço
Ceal-LP (SGAN 909, módulo B, Asa Norte)
– Atendimento ambulatorial: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, exceto feriados.
– Informações sobre acesso ao serviço, documentos e andamento de solicitações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3349-9944 ou presencialmente.

