A Secretaria de Educação (SEEDF), por meio do Núcleo de Educação Ambiental, promoveu, nessa quarta-feira (17), a 8ª edição do Fórum de Educação Ambiental. Com o tema “Desemparedamento na perspectiva da educação ambiental”, o encontro reuniu gestores, professores, profissionais da educação, representantes de órgãos públicos, instituições parceiras e membros da sociedade civil para fortalecer ações voltadas à sustentabilidade desenvolvidas nas escolas da rede pública. A iniciativa integra o trabalho da secretaria para ampliar a educação ambiental no cotidiano escolar, incentivando práticas que aproximem os estudantes da natureza, do território onde vivem e da comunidade.
Para a chefe do Núcleo de Educação Ambiental, Cibele Lima, o fórum é um espaço estratégico de articulação e construção coletiva. “O Fórum de Educação Ambiental reúne pessoas que acreditam e trabalham pela educação ambiental no dia a dia. É um espaço de encontro, de troca de experiências e de aprendizado entre educadores, instituições e parceiros que atuam nessa área”, destacou.
Além de promover reflexões sobre novas abordagens pedagógicas, o evento buscou fortalecer a implementação da Política de Educação Ambiental da SEEDF, estimular o protagonismo estudantil e ampliar a integração entre escolas, universidades, órgãos governamentais e instituições parceiras.
Formação cidadã e trabalho em rede
Para Cibele, um dos principais resultados do encontro é o fortalecimento da rede de colaboração entre profissionais e instituições que atuam na área. “É sempre muito enriquecedor conhecer as ações que estão sendo desenvolvidas em diferentes contextos, compartilhar boas práticas e construir novas possibilidades de atuação conjunta. Como rede de ensino, temos o compromisso de promover e fomentar a educação ambiental em todas as nossas instituições educacionais, contribuindo para a construção de uma sociedade cada vez mais consciente, participativa e sustentável”, afirmou.
Ao longo da programação, representantes das coordenações regionais de ensino (CREs) apresentaram projetos, oficinas, gincanas e ações desenvolvidas nas unidades escolares, evidenciando a diversidade de iniciativas voltadas à sustentabilidade na rede pública.
As apresentações também destacaram experiências desenvolvidas pela Escola Pública Integral Bilíngue – Libras e Português Escrito, Escola Classe Beija-Flor, Escola Parque da Natureza e Escola Parque da Natureza e Esporte, demonstrando diferentes formas de integrar a temática ambiental ao processo de aprendizagem.
A professora Tereza Marques, da Escola Classe Beija-Flor, apresentou ações que aproximam os estudantes dos espaços públicos e das questões ambientais do Distrito Federal. Entre elas está o projeto Passeando pela Cidade, que leva as crianças para atividades semanais fora da escola, além de iniciativas de plantio e preservação ambiental desenvolvidas por meio do projeto Brasilidade.
“Nosso trabalho dialoga muito com essa ideia do desemparedamento. As crianças saem da escola, conhecem o território onde vivem e participam de ações concretas, como o plantio de mudas do Cerrado. Já plantamos mais de 800 mudas na Serrinha do Paranoá, ajudando os estudantes a compreenderem a importância da preservação desses espaços”, destacou.
Segundo a educadora, as vivências fora da sala de aula ampliam a percepção dos estudantes sobre a cidade e fortalecem o sentimento de pertencimento. “Uma criança comentou que, depois de conhecer esses espaços e participar das ações de plantio, percebeu que no bairro onde mora há poucas árvores e disse que queria ajudar a mudar essa realidade. Quando ouvimos esse tipo de reflexão, percebemos que o projeto está cumprindo seu papel de formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com o ambiente em que vivem”, afirmou.
Mostra de cinema abre programação
A programação contou ainda com uma mostra de cinema na Escola Parque 308 Sul, destinada prioritariamente a estudantes e professores. A atividade reuniu cinco instituições educacionais de quatro CREs e promoveu reflexões sobre questões socioambientais por meio da exibição de um filme alinhado à temática do evento.
Além da experiência cultural, a iniciativa contribuiu para sensibilizar os participantes sobre a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento de atitudes voltadas à sustentabilidade.
Troca de experiências e práticas inspiradoras
Realizado na Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB), o fórum também reuniu profissionais da educação e representantes de instituições parceiras, como Neoenergia e Jardim Botânico de Brasília, que compartilharam iniciativas voltadas à sustentabilidade e à educação ambiental.
Entre os destaques estiveram a palestra de Paula Mendonça, do Instituto Alana, sobre o tema “Desemparedamento”, e a apresentação de Aline Oliveira, do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), que abordou o tema “Déficit de Natureza nas Escolas do DF”.
As atividades estimularam reflexões sobre a ampliação das experiências educativas em ambientes naturais e sobre os desafios de fortalecer a conexão das novas gerações com a natureza.
“O desemparedamento na infância é um convite para olhar os espaços externos como oportunidades de ampliar as possibilidades pedagógicas”
Para Paula Mendonça, as escolas desempenham papel estratégico na construção de cidades mais sustentáveis e resilientes. “A escola é um equipamento muito estratégico para pensar a questão ambiental e climática das cidades. Está presente em todos os territórios e pode beneficiar não apenas as crianças, com seu desenvolvimento integral, mas também os bairros e a própria cidade, ao ampliar as áreas verdes”, destacou.
Segundo ela, muitas unidades escolares da rede pública já contam com espaços verdes que podem ser mais bem-aproveitados em atividades pedagógicas. “O desemparedamento na infância é um convite para olhar os espaços externos como oportunidades de ampliar as possibilidades pedagógicas. A natureza oferece experiências de aprendizagem e contribui para a saúde física e mental dos estudantes”, afirmou.
Das ações de plantio às atividades desenvolvidas em espaços naturais, o fórum mostrou como a educação ambiental tem ganhado espaço nas escolas da rede pública do DF, transformando conhecimento em experiências concretas de cidadania e sustentabilidade.
*Com informações da SEEDF

